,Uma Conversa com Vanessa Bruno –  Artista para este espaço

Por Marcio Tito

Vanessa Bruno - por Cezar Siqueira
Vanessa Bruno – por Cezar Siqueira

O que sempre pareceu “solução” de mercado para artistas de teatro, o audiovisual, tornou-se também criação de novo setor (no contexto da pandemia para um grupo restrito de artistas que migraram para essa mídia). A dimensão pública do fazer teatral, interrompida pela dimensão mortal e viral do vírus, convidou artistas de diversos contextos a recriar sua relação com os símbolos de sua própria arte e, maior que isso, com todos os modelos de plateia e não-plateia. Essa conversa com Vanessa Bruno que, para além do tema, deságua também numa forma de pensar teatro e fazer teatro, é um depoimento intenso e poderoso acerca das mídias e da transmutação delas neste começo de século. Vanessa, em modo de coragem e gana pela realidade de seu ofício, importou Clarice Lispector para um formato que ainda não está nem mesmo aceito pela academia e, outra vez maior que isso, também não totalmente reconhecido pelos diversos contrastes de público.

Fez café? Abriu a coca-cola? É papo longo. Pode ler em dois ou três dias. Mas não se sai intocado do debate. Boa leitura!

Tito : Oi, Vanessa! Tudo bem? Você fala muito de autoria, né? De ter uma presença, me parece, da intérprete, da direção do seu projeto, e do seu entendimento quanto a isso. E, ao mesmo tempo, Clarice é como Nelson Rodrigues. A gente escuta uma frase e fala: Clarice!

Como isso funciona para você? Como você cria com tanta personalidade e presença ao mesmo tempo em que Clarice também é sempre tão explícita? Foi um conflito? Como você equilibra isso? Ou não equilibra. Ou realmente pende para um lado e pende para outro… Se pudesse falar sobre esse momento entre criar ao mesmo tempo que uma grande criadora como Clarice.

Vanessa: Oi, Marcio. Olha, desde o meu começo no teatro trabalhei com grandes textos que não eram de minha autoria, exceto no “Prêt-à-Porter”, em 2009, projeto do CPT onde atuamos e dirigimos nossos próprios textos em cena. A experiência em “Prêt-à-Porter” criou a semente de algo que fui desenvolver depois. Antes disso, por exemplo, atuei em “Orgia” (2003, direção de Roberto Lage) e “A Pedra do Reino” (2006, direção de Antunes Filho) de autores fortes como Pier Paolo Pasolini e Ariano Suassuna – e, mais tarde, dirigi espetáculos com a literatura de mulheres, igualmente fortes, e, por assim dizer, marcadamente autorais: Sylvia Plath, Marguerite Duras, e a própria Clarice. Isso não impede, a meu ver, a autoria ou o depoimento artístico (e pessoal) do intérprete e/ou da direção. Não há a necessidade de um texto de própria autoria para colocar para fora o que ferve por dentro – foi daí que me veio o nome VULCÃO para projetos e ações cênicas. Entendo o texto ou material – que pode ser dramatúrgico ou não – como parceiro de jogo. Na sala de ensaio, de modo bastante processual e intrínseco com o trabalho da interpretação, faço a escolha dos trechos da obra (nesse caso, de Clarice) e também a ordenação – é isso que me refiro como dramaturgismo em “Águas do Mundo” – e aí, a meu ver, tem uma primeira camada de autoria que cria a condução do discurso maior que quero emanar. Somado a isso, é fundamental o meu depoimento de intérprete e artista cidadã vivente no mundo de hoje através dos textos. Precisa ser colocado em corpo, movimento, ações, objetos e, assim, ir formando meu depoimento. Entendo a atuação como catalisadora do discurso que tem como responsabilidade criativa uma resposta íntima e social. A narrativa do espetáculo assim se compõe pelo menos por duas camadas: uma que busca dar corporalidade para o enredo dos trechos escolhidos de Lispector; e outra que opera meu depoimento autoral alinhado a questões urgentes atuais. Mais do que uma encenação/representação de uma situação apresentada no romance, minha questão na sala de ensaio era: que depoimento – como artista mulher hoje – eu tenho a dar? Quais experiências eu tive que quero confessar? Quais questões estão realmente me conectando/chamando tão fortemente nessa obra? Que depoimento tenho hoje que quero dar e faço isso através da obra? Então, de algum modo, busco conversar com minha parceira de jogo, a obra textual e, me atrevo a dizer, trazer Clarice para conversar com a mulher que sou. Clarice tinha quase 50 anos quando escreveu essa obra, e o que pode conversar com a mulher de 40 anos que sou hoje em 2021? O que uma mulher que propõe a reversão de um mito bíblico, fundador do patriarcado, tendo uma educação judaica, quer? O que conversa comigo e com o contexto de hoje? Essas respostas – que não são mentais, nem textuais, mas cênicas – são, para mim, a semente do “Prêt-à-Porter”, e é por aí que minha autoria chega, numa sobreposição de vozes, me parece. E ainda, claro, reconhecendo a voz majestade que é Clarice.

Águas do Mundo - Por Cézar Siqueira
Águas do Mundo – Por Cézar Siqueira

Tito: Vanessa, agora aquela pergunta que quase nunca vai faltar numa conversa sobre trabalhos cênicos no digital. Não sei da sua experiência nesse campo, mas o que que você procurou afinar nesse departamento, ou você quer entregar assim mesmo? É teatro e eu tô filmando, e tem, então aí, um certo ruído entre os formatos ou você de fato equalizou? Como foi esse trabalho?

Vanessa: Essa versão de “Águas do Mundo” está inserida nesse campo cênico digital que 2020 nos solicitou. Eu sou formada em cinema e, particularmente, há tempos me interessa a teatralidade exposta nos filmes de Fellini e Bergman, por exemplo. Adoro universos teatrais filmados, então foi um prazer a câmera poder navegar no espetáculo. A peça estreou em 2019 de forma presencial (quando nem usávamos essa palavra!) já tinha como conceito uma visualidade crua, essencial, que remete a ensaios com objetos como tripés de luz, garras e refletores aparentes, assim como caixas de som, amplificadores, microfone, e também os praticáveis, que fazem alusão à mobília e ao mesmo tempo a materiais de montagem em show. Nada disso foi alterado, é exatamente a mesma visualidade. Todos os adereços presentes, assim como figurinos e todos os movimentos e ações da peça se mantiveram. Porém, nesta versão, cada elemento foi pensado em relação à câmera. Não filmamos a peça somente, construímos um pensamento para a câmera articular todo o espetáculo. A estrutura teatral e o caráter de ensaio estão em primeiro plano. Mostramos o teatro vazio, evidenciando o contexto no qual estamos inseridos, no qual a gravação foi feita. A direção audiovisual do cineasta Pedro Paulo de Andrade – absolutamente sensível e integrado com a minha direção – fez a escolha dos planos; um falso travelling único com cortes escondidos à la “Festim Diabólico” (1948) do Hitchcock. A interpretação também foi repensada. O que construí para o palco se altera com a presença da câmera, e em alguns momentos é uma interpretação cinematográfica que cumplicia com a lente. A fotografia do Claus Stellfeld foi como um ator em cena, eu sentia como se estivéssemos dançando juntos, um duo de ballet. Nós dois estávamos muito integrados em cada movimento. Não tivemos a necessidade de fazer ao vivo para se caracterizar como teatral. É um pensamento de filme para um material já composto no teatro. Entendo como um híbrido mesmo, um cinema cênico, um espetáculo/filme navegando na literatura.

Tito: Você falou uma coisa que acho muito interessante: não foi preciso ser ao vivo para se caracterizar como teatro. E acho isso muito poderoso. Vanessa, você percebe esse lugar digital como uma conquista para as artes ou foi um momento de refúgio? Você acha que esse formato veio para ficar ou ainda que o presencial estivesse facilitado pela política pública, uma série de coisas… Se você tivesse um teatro seu, para fazer a sua peça, você ainda sim faria no digital? Como tem sido sua lida com essa novidade?

Vanessa: Vejo o digital no teatro como um espaço de multiplicação das possibilidades no jogo. Antes de 2020, as peças, obviamente, já eram gravadas. Algumas inclusive exibidas em cinemas, como no caso de musicais e óperas, ou os DVDs do Teatro Oficina, por exemplo. Mas salvo essas exceções, na maioria das vezes, as gravações eram registros com intuito de novas vendas ou inscrições em festivais ou documentação. A qualidade dependia do orçamento de cada produção e circulava num nicho interno. Agora, o novo que surge é a possibilidade de veicular para o público, ao vivo ou não, em plataformas acessíveis como YouTube, Zoom etc. A intermediação dos distribuidores e exibidores, característico do cinema, não existe. E não temos um único formato estabelecido, são diversos modos possíveis de realização – o que faz pensar em novos modos de captação do espetáculo teatral, a escolha pela transmissão simultânea virtual ou presencial, novas relações com a câmera e a criação de uma obra própria, vinculada obviamente à matriz. Isso pode aumentar o acesso à obra cênica e romper fronteiras. “Águas do Mundo” foi convidado duas vezes para participar do projeto Letras do Feminino de Rondônia, por exemplo, que articula arte, literatura e psicanálise. Chegou virtualmente a espectadores ou casas/telas em diferentes Estados, e a conversa após a sessão reuniu também psicanalistas de diferentes lugares. Então isso me faz pensar que pode ser um modo de irradiar uma obra. Pode ser um disparador de interesse. E também trazer, depois da experiência virtual, as pessoas ao teatro (presencial). Por que não? Assim como um LP de um artista já me causou vontade de ver seu show, ou mais tarde, um DVD gravado do show, me estimulava a querer participar de um ao vivo. Não vejo como uma substituição, mas como agregador no alcance. E, como realizadora, é completamente saborosa a exploração de trânsito de linguagens.

Águas do Mundo - Por Julio Calil
Águas do Mundo – Por Julio Calil

Tito : Ah, Vanessa, legal! Legal que tá batendo legal para você esse papo, porque a gente não faz um formato tradicional de entrevista. Enfim, é sempre uma coisa mais intuitiva. A gente tenta colocar mais de uma pergunta por pergunta, então a/o artista tem lugar de criar junto a própria questão que deseja responder ou que precisa responder para o trabalho. É um trabalho que a gente faz que é muito menos vinculado com a notícia e mais como arquivo mesmo.

Vanessa: Que bom, Marcio! Eu também tenho pensado sobre essa coisa do histórico no teatro. Durante um tempo foi feito pelos grandes jornais, seus arquivos funcionaram como documentação dos espetáculos que se realizaram. Mas hoje nem todas as peças são documentadas em jornais ou outros veículos e tem tanta coisa que acontece, está acontecendo tanta coisa que os jornais e as revistas não dão mais conta. Como fazer esse histórico? Então é muito legal saber que vocês estão pensando muito menos na notícia e muito mais nesse arquivo de pensamento. E cada pergunta que você traz, o modo como temos trocado, estabelece uma conversa única. Vou pensando especificamente no que você está colocando conforme a gente dialoga e gera, claro, novas questões para mim. E que bom saber que vocês estão também pensando esse trânsito entre o teatro e a rede social. Como trazer as redes para pensar o que temos feito cenicamente? Como adentrar e documentar nossa obra nesse ambiente digital? Digo isso pensando nos vestígios que nós, como geração, vamos deixar como experiência cênica. Atualmente a rede social não é só mais um braço de divulgação, mas sim um contato com o público, sua devolutiva, uma espécie de palmas. Olha que curioso, as pessoas terminam de ver o “Águas do Mundo” e começam a me mandar whatsapp, fotos ou e-mails com relatos mais detalhados, ou áudios, stories ou directs. Essa foi a devolutiva nesse formato de temporada virtual, é uma forma nova para mim. Não ganho palmas, abraços ou falas presenciais, o contato com público se dá via rede social ou por aplicativos de comunicação, e isso é muito curioso nesse momento. Então te agradeço. Está sendo bom pensar e repensar essas questões trazidas também virtualmente, assim como conhecer mais do trabalho de vocês.

Tito: Nossa, Vanessa, sua percepção é um casamento com várias coisas que penso e percebo também, sobretudo, acho que a gente intui, né? Porque você sabe, eu acho uma falta de conhecimento histórico – e está claro que você não tem essa falta -, de que o teatro tem que ser numa sala com todos sentados e em silêncio, quando na verdade a gente sabe que esse teatro silencioso, melancólico e triste que a gente tem no ocidente, é uma criação com menos de 300 anos talvez… E que antes dessa época, o teatro era uma coisa barulhenta, onde as pessoas levantavam, conversavam, comiam, bebiam e falavam… E curiosamente, a gente volta um pouco para isso, né? Através de quais artes do tempo, não se sabe… Porque o público tá em casa, às vezes o cara vê a peça com a TV ligada enquanto digita no whatsapp. E eu passei muito dessa fase de achar que isso é um desrespeito com a arte, ou com os artistas. Isso é só o lugar que a gente está enfrentando, e quem sabe daqui 300 anos, a gente consiga calar de novo as pessoas e colocá-las em um local escuro e quieto. Mas hoje em dia, para bem dizer, nem no teatro tradicional as pessoas se sentam mais. A pessoa desliga o celular, mas fica pensando: “será que alguém me ligou?”. Portanto tá ligado, né? Isso pra mim tem sido muito flagrante, mas também quando a gente pensa os lugares que o teatro já ocupou no mundo como teatro de rua, teatro em cabaret, pocket cena em restaurante… E isso não é menos teatro ou mais teatro. Eu gosto muito quando a gente consegue conquistar um lugar como é o digital, como você descreveu muito bem, e ao mesmo tempo carregar certa dignidade do artista para esse espaço.

Como comunicador e artista, o meu interesse vai além de registrar os trabalhos. Meu interesse é de dignificá-los, é de dizer: olha essa pessoa fez assim desse jeito e tá tudo certo, tá tudo legal, era o que a gente tinha ou o que a gente escolheu fazer… Enfim, esse lugar de contribuir com a peça, com a produção, de modo que ela vença a própria situação da plataforma onde se insere.

Vanessa: Eu concordo, não existe o que é “menos” teatro. Uma definição fechada do que é teatro, ou qual é o lugar do teatro, é algo limitante, coisa que o teatro não é. O teatro não é limitante, é justamente contra isso. Existe teatro de rua, o cabaré, o pocket cena, sites específicos… Existem tantos teatros. Então por que não considerar esse teatro que invade minha casa, minha TV, meu celular? Deixar o teatro ser o que ele tiver que ser na mão de cada artista e de cada possibilidade, e não tentar formatar um teatro.

E, também tenho pensado que é uma relação muito mais estética, essa coisa de qual é a especificidade da linguagem, ou de uma linguagem, como falei acima. Me perguntei nesses tempos: qual é o fetiche do “ao vivo” para a câmera? O ao vivo é teatro? Tanta TV com programa ao vivo, era/é teatro então? Por que se cria um fetiche com o “ao vivo”? Nada contra o ao vivo, participei inclusive do projeto “Terça em Cena” feito via Zoom ao vivo, mas não penso que é isso o que caracteriza o teatral, o cênico. Eu gosto dessa visão expandida, e que bom te ouvir em relação a isso e pensar, não tem “menos” teatro, não existe “menos” teatro. É super importante que a comunicação e a mídia se preocupem em dar dignidade para os artistas. É fundamental para a classe teatral, precisamos dar dignidade para os artistas. É uma dignidade que, por exemplo, se tem no cinema ou nas artes plásticas – talvez mais no cinema com todas as premiações, festivais (inclusive as premiações passam a fazer parte dos cartazes). É um pensamento que, a meu ver, é positivo na indústria e faz parte de toda a engrenagem: além de produzir a obra, divulgar, escrever e pensar sobre, e chamar a atenção do público para temas, conceitos, referências, desdobramentos faz com que o trabalho tenha alcance. Gosto de pensar que estamos num mesmo time, críticos, divulgadores, programadores, produtores, fazedores da cena, como uma equipe maior. Muitas vezes essa visão se perde no teatro. E com todo esse desmonte da nossa cultura, a gente sente o tempo todo estar começando do zero. Estamos exaustos. Precisamos de dignidade. E o olhar da crítica, uma matéria adequada sobre um artista ou espetáculo cria visibilidade e ajuda a construir uma trajetória para a obra, para a/o artista, para o coletivo. Tão importante ouvir através de outras palavras, de outro pensador(a), sobre o trabalho que se está apresentando. “Águas do Mundo” não recebeu até agora nenhuma crítica em jornal, revista ou blog. Recebi textos com muita articulação de sentido e significado de psicanalistas (todas mulheres). Me parece sintomático, o que isso quer dizer? As mulheres diretoras são dignificadas na nossa crítica? Acho essa questão da crítica um grande ponto da história atual, do que temos construído no teatro, dos novos rumos e do que está acontecendo. Como que a nova crítica se articula frente a isso, sabe? Teve uma específica, neste período, que achei um desserviço por dizer: “Ilusão de que o teatro virtual é uma nova arte se esgotou na pandemia”. E isso no jornal de maior circulação no país (340 mil assinantes – já foram tantos mais – temos também uma crise nos jornais). Mas voltando à questão, como assim já esgotou? Há 1 ano e meio está acontecendo um movimento, alguns artistas desenvolvendo pesquisa, e com possivelmente tantos projetos por vir ainda para veiculação. Por que trazer um desestímulo para um público que está começando a fruir essa proposta? O que essa matéria/reflexão/crítica contribui? Me parece que não contribui em nada para a nossa roda, para nosso mercado – que é quase tão artesanal que acho que não dá nem para falar em mercado. Para nossa existência, a existência da classe teatral, o que poderia contribuir neste caso era colocar questões que aparecem ou apareceram no digital: o que fica falho, o que não se comunica com o público, e também, formatos ousados, diferentes possibilidades, no sentido de despertar os artistas e os olhares dos espectadores. Como alguém pensa ser possível interromper um fluxo, um procedimento que está se dando como uma ferramenta para tantos? Essa afirmação veio de uma pesquisa de campo? Um número de entrevistados? Traz uma lista de espetáculos online para quem quiser conferir se concorda ou discorda? Não. Cita “na França…” ou “na Broadway…”. O espaço na mídia é cada vez mais escasso para se falar de teatro no Brasil, aumenta então a responsabilidade ética, social para com a comunidade artística e espectadores. Isso se relaciona diretamente com a necessidade de dignificação da(o) artista brasileira(o). E por fim, sou radicalmente contra qualquer pensamento apocalíptico como: “o teatro acabou; tudo acabou; tudo já esgotou” para mim esse pensamento não cria nada, não semeia, não vira terra fértil. Enfim, abri o áudio aqui e fui deixando o pensamento correr. Muito obrigada, Marcio.

Água do Mundo - Por Julio Calil
Água do Mundo – Por Julio Calil

Tito: Eu que agradeço sua potência e luminosidade! Vale dizer que no momento em que escrevo esta continuidade, que é também caminho para o fim, suas apresentações correram. Situando… Começamos a falar bem pertinho da estreia. Agora, na oportunidade de fecharmos para a publicação da sua fala, como é reler o que você havia pensado antes do disparo? O que a artista de hoje, que nem está tão longe, mas que passou pelo processo público, pode dizer para esta dupla que estava aí em cima com tanta intuição?

Vanessa: Posso dizer que não devemos perder a esperança, devemos seguir, encontrar parceiros e parceiras éticas para caminhar. Há muita gente boa para darmos as mãos e nos ajudarmos mutuamente para abrir campo nas políticas públicas culturais, para abrir canais de comunicação com o público e abrir campo nos nossos projetos artísticos, ‘bora seguir adiante.

Tito: E um abraçaço!!!!

Agradecemos pela leitura de nossa entrevista.

,Sobre a entrevistada:

Vanessa Bruno – atriz e diretora. Mestre em Artes Cênicas pela Universidade São Paulo (ECA-USP). Bacharel em Cinema pela FAAP. De 2004 à 2019 esteve envolvida no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) coordenado por Antunes Filho. Sob direção de Antunes, atuou em (2008) “Prét-à-Porter 9” (Projeto ganhador do Prêmio Shell – categoria especial) e (2006) “Pedra do Reino” (melhor espetáculo nos prêmios Bravo!Prime, APCA e Contigo!) e ministrou, nos últimos dez anos (2010 a 2019) aulas de retórica para atores no curso Introdução ao Método do Ator (CPTzinho). Como atriz podemos destacar também: (2004) “Memórias do Mar Aberto – Medéia Conta sua História” de Consuelo de Castro com Leona Cavalli direção Regina Galdino; (2003) “Orgia” de Pier Paolo Pasolini com Cássio Scapin e Inês Aranha, direção Roberto Lage. E em teatro infantil: “Enjoy!” com o Teatro da Gioconda – Prêmio Cultural Inglesa – melhor espetáculo 2009. Dirigiu em teatro adulto “O Ovo e A Galinha” de Clarice Lispector (2010) e o infanto-juvenil “Brincar de Pensar – contos de Clarice Lispector no palco para pessoas grandes ou pequenas” (2014). A partir dos espetáculos com literatura de Lispector desenvolveu na ECA/USP pesquisa prática e acadêmica descrevendo procedimentos para o ator trabalhar com literatura no palco. Propositora do VULCÃO [criação e pesquisa cênica] realizou a direção dos solos “Pulso” a partir da vida e da obra de Sylvia Plath (2016), “A Dor” a partir de La Douleur de Marguerite Duras (2016) e, de seu próprio solo “Águas do Mundo” (2019) a partir da obra de Clarice Lispector. Essa obra fez em 2020 transmissão on-line especial direto de um teatro vazio e em 2021 participou do TEIMA Festival e entrou em temporada virtual. Dirigiu também “As Cartas de Agnès” cine-ensaio a partir da obra da cineasta Agnès Varda, apresentado no Festival CASA em Londres (2019). Além de “Águas do Mundo” seu recente trabalho como diretora no VULCÃO [criação e pesquisa cênica] é “Rosa Choque” poema cênico musical virtual da dramaturga Dione Carlos. Na última semana voltou ao presencial a convite do dramaturgo e diretor Lucas Mayor, e está no Teatro Cemitério de Automóveis em cartaz com “Humilhação”.

Instagram: @vanbruno

,Sobre o autor:

Marcio Tito é dramaturgo e diretor teatral, além de editor e entrevistador no site Deus Ateu (www.deusateu.com.br). 

Instagram: @marciotitop

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