,O design gráfico em La La Land

Por Guilherme Paes e Karen Eloise.

Revisão: Aline Machado.

Sebastian e Mia em La La Land

INTRODUÇÃO

La La Land (2016), é um filme do gênero musical dirigido por Damien Chazelle, considerado o mais jovem a ganhar um Oscar na categoria Direção em 2017. Protagonizado por Emma Stone (Mia) e Ryan Gosling (Sebastian), o filme traz referências dos grandes musicais da história do cinema, como: Vamos Dançar? (1937), Melodia da Broadway (1940), Cantando na Chuva (1952), Cinderela em Paris (1957) e Sweety Charity (1969). O trabalho minucioso do diretor, e principalmente da sua equipe de Direção de Arte e Fotografia, nos presenteiam com elementos gráficos e cores que caracterizam o filme como uma obra de arte para os amantes do cinema. Nesta matéria, iremos abordar um olhar específico para o uso do design gráfico em algumas das cenas- que abrangem uma análise do logotipo do filme-, as peças gráficas utilizadas pelos personagens, ambientações, jogo de luzes, ilustrações, entre outros. Um texto “para os tolos que sonham”.

1. LOGOTIPO DE LA LA LAND E AS ESTAÇÕES

Em La La Land, o logotipo utiliza apenas da tipografia, que hoje, é comercializada como a fonte Yasashii Bold, desenvolvida pelo tipógrafo japonês, Ryoichi Tsunekawa.  Uma tipografia com características da Art Déco – estilo artístico que surgiu na Europa na década de 1920 – equilibrado com um desenho moderno, além de fazer referência a filmes como Casablanca (1942) e O Vento Levou (1939). Para a aplicação sob as imagens, há uma sombra chapada (sem transparência) e com leve deslocamento, com o objetivo de destacar o texto e facilitar a leitura.

Figura 1. Logotipo de La La Land
Figura 1. Logotipo de La La Land. Crédito da imagem: <http://shinestudio.com/projects/lalalandfeatured/&gt;.

A Shine Studio, responsável pela criação da identidade visual, pensou em como a tipografia seria aplicada tanto no logotipo quanto nas transições de cenas e estações para criar uma unidade dentro do projeto:

Para o produtor do filme, Fred Berger (2016), a Shine fez um projeto que imaginou como seriam os logotipos dos estúdios nas décadas de 1940 e 1950, transpondo o expectador para aqueles anos de ouro do cinema, assim como toda a narrativa escolhida pelo diretor do filme, Damien Chazelle.

Mas nada me faz sorrir mais do que quando o público aplaude enquanto o impressionante título principal dourado bate na imagem e preenche o quadro. Eles estão torcendo pelo número musical de abertura, mas também pelo brilhante trabalho de Shine. E é bem merecido. (BERGER, on-line, 2016).

Figura 4. Logo Summit
Figura 4. Logo Summit. Crédito da imagem: <http://shinestudio.com/projects/lalalandfeatured/&gt;.
Figura 5. Logo CinemaScope
Figura 5. Logo CinemaScope. Crédito da imagem: <http://shinestudio.com/projects/lalalandfeatured/&gt;.

No final do filme temos o The End (Fim), com uma tipografia manuscrita clássica, com arabescos, imersa na noite iluminada da cidade de Los Angeles, ressaltando todo o glamour da Hollywood que La La Land nos apresentou.

Figura 6. The End.
Figura 6. The End. Crédito da imagem: <http://shinestudio.com/projects/lalalandfeatured/&gt;.

2. AMBIENTAÇÕES E MATERIAIS GRÁFICOS

As ambientações de cenários e a própria narrativa presente em La La Land se comportam também por meio do design gráfico, como um caminho para se direcionar um certo resgate temporal delimitado e referenciar um estilo visual que os musicais fazem uso; estas atribuições são lançadas ao seu espectador de diversas maneiras ao longo do filme. A ambientação por meio do design se faz pelo uso de diversos materiais visuais e gráficos que estão presentes, às vezes, de forma secundária (ao fundo) e, em outros momentos, como ponto focal principal das cenas.

O resgate temporal e as referências visuais trabalham de forma unificada e complementar; durante toda a produção o espectador é apresentado a uma série de imagens que possuem um estilo visual próprio, que conduzem a ele um tempo específico e referenciam uma série de outras produções. A estratégia narrativa dessa condução em La La Land se apresenta de forma sutil, por meio de transições de vídeo, ambientação de cenários ou pontos focais de menor relevância, que se completam com todo o restante da cena. Mesmo presentes de forma secundária, muitas das vezes eles funcionam como importantes elementos de significado para todo o filme.

O uso de logotipos no filme carrega uma ênfase própria, já que estão presentes em diversas cenas e funcionam como uma marcação para os ambientes frequentados pelos personagens. Em sua maioria, eles se apresentam de forma tipográfica, remetendo à escrita feita à mão, e com atributos de curvaturas, linhas complementares e a predominação do neon em sua composição. Esses logos fazem referência e são pertencentes a um estilo visual predominantemente americano, mais especificamente de Hollywood e Las Vegas. Os designs destes letreiros em sua maioria fazem referência à dita época de ouro dos musicais de Hollywood que perdurou entre os anos de 1930 a 1960, e que contou com produções como: “Melodia da Broadway” (1929), de Harry Beaumont; “O Mágico de Oz” (1939), de Victor Fleming; “Cantando na Chuva” (1952), de Gene Kelly e Stanley Donen; “Amor, Sublime Amor” (1961), de Jerome Robbins e Robert Wise, e entre outros.

O trabalho presente em La La Land é de referenciar o próprio filme a essas décadas de 30 a 60, tanto temporalmente quanto visualmente, para que quem assiste ao filme possa se ambientar como esse estilo próprio que marca o gênero da película.

Figura 11. Transição de logotipos.
Figura 11. Transição de logotipos.
Figura 11. Transição de logotipos.
Figura 12. Transição de logotipos.

Outros logos também se manifestam ao longo da filmagem para complementarem essa incursão proposta pelo diretor. Na cena acima uma transição de imagens acontece na qual o elemento predominante para além de ambientar e envolver a quem assiste é o fator principal da composição da cena. Esse jogo de transições demonstra todo um repertório de tipografias, pictogramas e composições que giram entorno da proposta de direcionar o olhar do espectador para as referências de todo o filme.

Uma das características marcantes desta linguagem visual empregada ao filme é o uso de um estilo gráfico denominado “Retrô” que indica o uso de uma retomada histórica de aspectos visuais, ou seja, uma apropriação de linguagens que são reconfiguradas para novos fins. Esta adaptação – que retoma a história do design num interesse eclético de observar e capturar os elementos presentes em suas composições.

O “retrô” não somente opera com elementos visuais já empregados, mas todo e qualquer forma gráfica para se compor, nada estava fora do alcance desta linguagem que pode projetar cartões de beisebol, caixas de fósforos, ilustrações, recortes de revista e impressos de baixa qualidade, ou nesse caso, a implementação dessa linguagem visual a um filme, tudo pode ser parafraseado no projeto.

O Retrô se desdobra em outros artifícios visuais que também fazem referências ao passado e à reutilização de materiais, mas de forma a reconfigurar os significados e usos das imagens, tipografia e grafismos presentes nos leiautes. Alinhando o design à produção cinematográfica, a perspectiva de Poynor nos ajuda a ilustrar esse ponto:

“O design gráfico sempre pegara emprestadas imagens e abordagens de outros campos, especialmente das belas-artes e da cultura popular; referências visuais de todos os tipos eram uma característica essencial do modo em que o design se comunicava.” (POYNOR, 2010. p.72).

3. ANÁLISE DE SEB’S E SO LONG BOULDER CITY

Figura 13. Mia mostra o esboço da ideia do logotipo para Sebastian.
Figura 13. Mia mostra o esboço da ideia do logotipo para Sebastian.

Mia é atriz, mas ela poderia também atuar como designer. Percebe-se que a personagem traz consigo um olhar estético muito orientado ao universo visual de Hollywood. Em dois momentos da história a personagem apresenta dois projetos visuais relevantes para entendermos essa relação do filme com o design gráfico. Em um primeiro momento, Mia cria um esboço do que será o futuro clube de jazz do Sebastian – Seb’s (Figura 13). O conceito traz a inspiração de letreiros em neon de outros bares e clubes da cidade. Tipografia geométrica com acabamento estilizado, principalmente na letra S, porém sem serifas(Figura 14). A palavra está levemente inclinada, dando um movimento gráfico e envolto por uma circunferência que “abriga” a palavra, curta, de forma bem adequada aos padrões visuais – legibilidade, dinamismo e aplicação – se considerarmos os letreiros e materiais gráficos, eles podem ser utilizados em diversas mídias, sem complicações. Sebastian se surpreende com um detalhe importante, no qual Mia, substitui a apóstrofe entre a letra B e a letra S, por uma semínima (nota musical), que se harmoniza com o desenho tipográfico proposto, respeitando o encaixe e a espessura do elemento com o texto.

Figura 14. Exemplo de uma tipografia a esquerda com serifa e a direita sem serifa.
Fonte: https://newenglandrepro.com/serif-vs-sans-serif-typeface/
Figura 14. Exemplo de uma tipografia a esquerda com serifa e a direita sem serifa.
Fonte: https://newenglandrepro.com/serif-vs-sans-serif-typeface/
 
Figura 15. O logo Seb’s adaptado ao formato neon.
Figura 15. O logo Seb’s adaptado ao formato neon.

No final do filme, a personagem entra no clube e vê pendurado na parede um letreiro neon, exatamente como ela havia desenhado, materializando o resultado como um elo visual que os conecta. A cor escolhida é azul, muito utilizada pela Mia no decorrer do filme, principalmente em seu figurino, que poderíamos considerar como uma homenagem a ela.

Outra peça gráfica que se destaca no filme é o cartaz da peça de teatro criado pela própria Mia. O cartaz, especificamente para o teatro, tem uma função relevante por ser o primeiro contato do espectador com a obra teatral, ele nos mostra um fragmento, um convite ao que será apresentado nos palcos, sendo o cartaz parte do próprio espetáculo (MELO, 2012, p. 41).

Entre as décadas de 1960 a 1970, o cartaz teve importância com um papel fundamental na divulgação de espetáculos teatrais, dança, shows, cinema, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

Figura 16. Cartaz esboçado com estudos tipográficos feitos à mão por Mia, possivelmente em sua juventude.
Figura 16. Cartaz esboçado com estudos tipográficos feitos à mão por Mia, possivelmente em sua juventude.

Em La La Land, é apresentado o cartaz da peça So Long Boulder City (Tão Longa Cidade de Pedregulho)criado pela própria protagonista. Como pudemos ver anteriormente, Mia já havia desenvolvido outros desenhos, inclusive para compor o cenário da peça, como veremos adiante.

Figura 17. Cartaz da peça So Long Boulder City.
Figura 17. Cartaz da peça So Long Boulder City.

Na narrativa do filme não fica claro do que se trata a peça, apenas sabemos que ela é escrita e protagonizada por Mia, como um monólogo, pois vemos apenas a entrada da personagem no palco e ao final da apresentação. Pensando que o cartaz de teatro pode nos contar uma história, podemos fazer uma breve análise a partir dos elementos gráficos apresentados nele. LUPTON (2015, p.110), descreve que “a história também estabelece um ponto de vista. Veremos os eventos sob o olhar da protagonista”. Neste cartaz, Mia nos abre uma janela, onde apresenta a fusão de ilustrações de símbolos históricos de cidades como Londres (Big Ben), Pisa (Torre de Pisa), Paris (Torre Eiffel) e Nova Iorque (Estátua da Liberdade). Sob o céu estrelado, vemos outra ilustração, de um avião atravessar o espaço composto por todos estes elementos. Abaixo temos um quarto ilustrado apenas em traços e uma janela azul, que pode nos indicar que se trata da mesma ilustração que está acima. Na cenografia também nos é apresentada, com destaque essa janela pela qual, aparentemente, a personagem vê a cidade, na sequência, vemos que se trata de Paris.

Figura 18. Mia no palco.
Figura 18. Mia no palco.

As cores prioritárias para ilustrar o cartaz são azul e vermelho, característicos em diversas cenas no decorrer do filme, apresentando as emoções e transições entre as estações, tanto na cenografia quanto no figurino das personagens. Existe uma hierarquia clara e objetiva em relação a distribuição dos elementos gráficos no espaço do cartaz. Assim, no topo temos o título da peça em tipografia geométrica: So Long (em contraste com o vermelho, na cor branca) Boulder City (em preto e com menor destaque). No rodapé do cartaz, com a mesma tipografia, o nome da autora e diretora: A play by Mia Dolan (Uma peça de Mia Dolan) em branco, novamente destacado; na sequência temos o dia e o horário da apresentação: One night only – October 24 (única apresentação – 24 de outubro). O cartaz, aqui cumpre a função, até onde sabemos, de apresentar o contexto da peça, então, podemos subentender de que se trata da possibilidade de viagens, que levarão a personagem a conhecer as cidades mencionadas acima.

4. CINEMA COMO ILUSTRAÇÃO

Mas o filme não somente só utiliza das produções do design gráfico, mas se funde a ele para criar suas próprias cenas por meio da fotografia e da ilustração por exemplo, que estão presentes nos dois campos estudados.

Em algumas cenas específicas, o diretor se utiliza da ilustração para compor sua narrativa, as formas e silhuetas dos atores são exploradas subtraindo a presença física dos integrantes da cena, tornando-os uma ilustração. Como podemos ver abaixo, na cena de início do observatório, Sebastian e Mia aparecem projetados por meio de suas sombras na escadaria do local, é possível identificar que são os atores somente por suas silhuetas sem a necessidade clara da presença integral deles em cena.

Figura 19. Sombras de Mia e Sebastian no Observatório
Figura 19. Sombras de Mia e Sebastian no Observatório.

O mesmo acontece quando o personagem do cantor John Legend inicia a música Star a Fire na qual é possível observar suas formas contraluz gerando uma contra-forma na cena, esse recurso aproxima a fotografia da ilustração nas composições.

Figura 20. Sombra de John Legend no início da música Star a Fire
Figura 20. Sombra de John Legend no início da música Star a Fire.

Embora esse recurso seja usado de forma rápida e pontual em uma outra cena, ele é empregado como meio principal de composição. Durante a parte final do filme, é recriada uma cena que já aconteceu anteriormente. O diretor refaz a cena em que Mia participa da audição contando a história de sua tia, só que desta vez essa apresentação é tratada de outra perspectiva e linguagem.

Figura 21. Cena da audição de Mia refeita
Figura 21. Cena da audição de Mia refeita

Na parte final da película, na qual se perpassa momentos de transição entre cenas rápidas e diversos cenários, um em específico apresenta uma nova roupagem que se difere das demais. Esta roupagem é da abordagem da narrativa a partir da ilustração.

Quando refeita a cena de Mia na audição, ela é abordada agora em um plano lateral em que todos os integrantes são vistos e divididos por blocos, é possível identificar Sebastian sentado do lado de fora da sala apreensivo por estar curvado, uma pilastra que divide a sala de espera e a sala de apresentação que Mia está se apresentando juntamente com os dois jurados que estão a avaliando. O esquema compositivo da cena se alinha a representação por formas, já que só é possível identificar os personagens por meio de suas silhuetas e posições.

O uso da ilustração como narrativa implica na exploração das formas e contra formas para se constituir a imagem. Podemos perceber que a cena não perde em nada sua dramaticidade e ainda obtém uma síntese para a cena que foi apresentada anteriormente. Do ponto de vista do design é estimulante pensar em como pode se compor um objeto gráfico/visual, como seus elementos podem se comportar em quadro sendo divididos e agrupados para se criar significados e direcionamentos a seu espectador.

5. A CENA COMO CARTAZ

La La Land nos apresenta diversas imagens que, estáticas, seriam a própria composição visual para um cartaz ou qualquer outra peça gráfica de divulgação do filme. Isso acontece porque o diretor, Damien Chazelle e sua equipe de direção de arte e fotografia, tiveram um cuidado especial com cada cena para que elas fossem marcantes.

Figura 22. Mia e suas amigas combinam uma paleta de vestidos.
Figura 22. Mia e suas amigas combinam uma paleta de vestidos.

As quatro personagens, cada uma com um vestido de uma cor- Mia está novamente de azul. Ao fundo, temos o anoitecer e uma potente transição musical de “Someone In The Crowd” (Alguém na plateia), onde as personagens dançam em direção a uma festa em Los Angeles. Elas buscam uma oportunidade para fazer contatos ou receber um convite para uma audição, considerando que todas são atrizes.

Figura 22. Mia parada na porta do restaurante Lipton’s.
Figura 23. Mia parada na porta do restaurante Lipton’s.

Neste enquadramento na Mia, que caminhava pela rua, mas para na porta do restaurante ao ouvi-lo tocar. Temos a iluminação da fachada do restaurante, vermelha, envolvendo o corpo da Mia (vestida de azul, assim como Sebastian) como espectro de luz, como se a personagem fosse tomada pela música que tocava dentro do restaurante, fazendo-a entrar.

Figura 24. Sebastian e Mia dançam no Mirante
Figura 24. Sebastian e Mia dançam no Mirante

A cena em que Mia e Sebastian dançam traduz de forma tão concisa o que é o filme, que foi escolhida para ilustrar, de fato, um dos cartazes de divulgação de La La Land. Temos o entardecer de Los Angeles ao fundo, o contraste dos figurinos da dupla: Sebastian em um tom mais conservador com camisa e gravata e Mia com um vestido amarelo. Ambos usam clássicos sapatos de sapateado (preto e branco), dando um tom nostálgico aos musicais das décadas de 1950 e 1960, como Cantando na Chuva (1952).

Figura 24. Sebastian e Mia dançam no Mirante
Figura 25. Sebastian e Mia dançam no Mirante.

Nesta sequência, Sebatian nos introduz a uma versão despretensiosa do que será adiante “City of Stars”. O enquadramento deste caminhar traduz muito a jornada do personagem, introspectivo e solitário, mas ao mesmo tempo sonhador – seu olhar se perde no horizonte deste entardecer.

Figura 26. Mia e Sebastian no Observatório.
Figura 26. Mia e Sebastian no Observatório.

A cena do Observatório, novamente, nos apresenta uma sequência de dança. Assim, vemos o casal flutuar até um céu estrelado, projetado no teto do Observatório, e apenas as silhuetas dos personagens nos conduzem a um momento romântico e mágico onde Mia e Sebastian estão “dançando entre as estrelas”, simbolicamente, a paixão nos faz levitar.

Figura 27. Dueto de City of Stars.
Figura 27. Dueto de City of Stars.

O momento de cumplicidade que integra a cena de “City Of Stars”, música tema dos personagens. Neste dueto simples, apenas voz e piano, Mia e Sebastian traduzem neste enquadramento íntimo a essência do sentimento que um tem pelo outro, da história de amor que envolve o espectador, como se estivéssemos dentro da cena com eles.  

Figura 28. Sebastian, na porta do teatro, após perder a apresentação da Mia.
Figura 28. Sebastian, na porta do teatro, após perder a apresentação da Mia.

Nesta cena, Sebastian é apenas uma silhueta que se destaca à frente da iluminação rosa da porta do teatro. O conjunto da cena cria um contraste com o céu e a rua vazia, e uma atmosfera de solidão na qual o personagem se encontra. O equilíbrio desses elementos na cena, vista de forma estática, cria um contraste entre forma e contra-forma, e que segundo LUPTON E PHILLIPS (2014, p.85), estimula o olhar, com campos de tensões e ambiguidades dentro da narrativa proposta pelo diretor.

O olhar do design gráfico sob as cenas acima analisou a relação entre a figura (os personagens) e o fundo. A escolha destas imagens, de certa forma, resume os momentos importantes e divisores na trajetória de Mia e Sebastian

6. A ILUMINAÇÃO COMO LINGUAGEM VISUAL

O pensamento sobre como compor e dirigir as informações continua na atribuição do foco que o artista, designer ou diretor quer dar a um objeto específico, como podemos ver na cena abaixo, Mia está centralizada em cena no qual é possível identificar diversos elementos ao seu redor, no momento em que ela adentra sua história, o foco é direcionado totalmente para si, um jogo de luzes é criado para que sua personagem fique envolta de uma moldura escura, que esconde o cenário a seu entorno. O foco criado orienta o observador a ter mais atenção sobre o objeto que o diretor quer dar mais ênfase.

Figura 29. Jogo de luzes (claro) – Audição Mia
Figura 29. Jogo de luzes (claro) – Audição Mia.
Figura 30. Jogo de luzes (escuro) – Audição Mia
Figura 30. Jogo de luzes (escuro) – Audição Mia.

O mesmo acontece na cena em que Sebastian está tocando piano, quando a moldura se cria ele é somente iluminado por um foco de luz que vem de cima, o deixando com poucos detalhes e uma luz dura que é demarcada sobre ele.

Figura 31. Jogo de luzes (claro) – Sebastian ao piano
Figura 31. Jogo de luzes (claro) – Sebastian ao piano.
Figura 32. Jogo de luzes (escuro) – Sebastian ao piano
Figura 32. Jogo de luzes (escuro) – Sebastian ao piano.

O artifício da luz e sombra é um aliado da composição visual, sendo ela impressa, digital ou filmada, utilizar esse método para construir uma narrativa e formatar uma imagem é de grande valia, pois é possível esconder ou revelar elementos que possuem pouca ou alta relevância para o observador; estudar essas produções aumenta o grau de habilidade que o produtor de imagens de forma geral possui sobre seus trabalhos, o foco é um elemento essencial e que pode ser trabalhado de diversas maneiras expandindo a complexidade e a qualidade que uma peça pode ter.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

La La Land alinha o cinema ao design gráfico por suas formas, composições, cores, enquadramentos e narrativas. O filme possibilita a expansão dos estudos sobre os dois campos, entendendo as percepções e os cruzamentos que os mesmos possuem, ordenando a linguagem visual de forma mais complexa e subjetiva para quem consome e/ou assiste a essas produções, sejam elas filmadas, impressas, digitais etc.

REFERÊNCIAS

LUPTON, Ellen. How Posters Work. New York: Cooper Hewitt, 2015.

LUPTON, Ellen e PHILLIPS, Jennifer. Novos Fundamentos do Design Gráfico. São Paulo: Cosac-Naify, 2014.

MELO, Chico Homem de. Linha do Tempo do Design Gráfico no Brasil. São Paulo: Cosac-Naify, 2012.

POYNOR, Rick. Abaixo as regras: design gráfico e pós-modernismo. Porto Alegre: Bookman, 2010.

SHINE STUDIO. Disponível em: <http://shinestudio.com/projects/lalalandfeatured/&gt;. Acesso em 6/3/2021.

YASASHII – TIPOGRAFIA DE LA LA LAND. Disponível em: <https://www.myfonts.com/fonts/flat-it/yasashii/&gt;. Acesso em 6/3/2021.

Agradecemos pela leitura do nosso artigo.

,Sobre os autores:

Guilherme Paes, é Mestre em design pela Universidade Anhembi Morumbi e editor de design e cultura do site Deusateu.

Karen Eloise Shimoda, é Mestre em Design pela Universidade Anhembi Morumbi, pesquisa a relação entre a Dança Contemporânea e o Design Gráfico. Graduada em Comunicação Social pela mesma universidade (2006) e pós-graduada em Design Gráfico pelo Centro Universitário Senac (2010). Atriz, formada pelo Teatro Escola Macunaíma (2013).

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